Como nos ensinava Chico Xavier, o telefone só toca de lá (plano espiritual) para cá (Terra). Não esperemos soluções mágicas e espirituais para problemas que cumpre à Humanidade resolver.

Não nos empolguemos com psicografias cujo conteúdo traz revelações que não podem ser demonstradas, nem compartilhemos informações carentes de segurança.

Mensagens de espíritos de luz dificilmente contém revelações, tendo foco no conforto aos corações aflitos. É o que nos mostra Bezerra de Menezes, por intermédio de Divaldo Franco[1]:

“Não vos preocupeis demasiadamente com a presença pandêmica do vírus, cujo momento será mais tarde entendido nas suas razões, nas suas origens e no porquê chegou-nos agora, provocando pânico e dor.”

O Médico dos Pobres[2] desvia-nos o pensamento de uma razão que não podemos explicar, conclamando ao trabalho que nos cabe:

“Vós, que conheceis Jesus, mantende o respeito às leis, buscando a precaução recomendada pelas autoridades sanitárias, mas não oculteis a mão socorrista aos padecentes, não negueis a palavra libertadora aos que se preparam para enfrentar a Imortalidade.”

Graves pandemias não são novidade, sendo imperioso delas extrair lições.

Em meio ao surto de cólera na cidade de Londres, no Século XIX, o médico John Snow, confrontando uma série de informações, identificou a contaminação de uma fonte de água. A partir do estudo, não só conteve o surto, como revolucionou o saneamento básico e os estudos de epidemiologia.

Em nosso país, recordamos do médico Oswaldo Cruz, cujas medidas para a erradicação da peste bubônica, febre amarela e varíola, no início do Século XX, engendraram revoltas populares, e ferozes críticas de inúmeros flancos. Contudo, a melhoria das condições sanitárias, as campanhas de vacinação, e a perspectiva científica permanecem como inestimável legado à Pátria do Evangelho.

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questiona a necessidade das calamidades, ali denominadas flagelos destruidores:

738. Para conseguir a melhora da Humanidade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores?

 Pode e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza.” – grifamos

Tudo o que ocorre no planeta serve ao aprendizado. A carência moral do Homem dá ensejo a que inúmeros mecanismos desconhecidos da Natureza, uma vez provocados, abandonem a latência, impondo um rearranjo social, que bem poderia ocorrer de modo brando e pacífico, bastando, para tanto, seguir a Lei de Amor.

Embora o Mestre Nazareno já nos tenha alertado de que “é impossível que não venham escândalos” (Lc 17:1), e que a Doutrina Espírita fornece compreensão ao fenômeno da dor, há um princípio universal:

 

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

 

Tal dístico nos conclama a fazer o bem no limite de nossas forças[3], sem qualquer preferência ou julgamento, conforme ensino contido na Parábola do Bom Samaritano.

Não nos cumpre consumir tempo com causas e explicações que não estão ao nosso alcance, mas fazer todo o bem possível e necessário, minorando o sofrimento do semelhante.

No esteio de Paulo de Tarso, mentor da Casa, devemos perscrutar nossa consciência com a humilde questão, “Senhor, que quereis que Vos Faça?”, e implementar os propósitos do Cristo, como fez o Apóstolo dos Gentios.

Nosso dever se inicia com a correta atitude mental, conforme orientação do espírito André Luiz[4]:

“Em tempo algum empolgar-se por emoções desordenadas ante ocorrências que apaixonem a opinião pública, como, por exemplo, delitos, catástrofes, epidemias, fenômenos geológicos e outros quaisquer.

Acalmar-se é acalmar os outros.”

E mesmo que a dor se faça em nossa casa, cultivemos ainda mais a fé no Criador, em sua Justiça e Misericórdia, jamais olvidando que somos espíritos imortais em busca do aperfeiçoamento, e que a união calcada no amor é perene, nos termos apregoados por Jesus: Onde está o teu tesouro, ali estará também o seu coração (Mt 6:21).

Aproveitemos o isolamento para cultivar reflexões íntimas, o lar e a família, nossa primeira e principal escola no Orbe, sem jamais esquecer do próximo, ofertando auxílio material e moral, cultivando pensamentos elevados e recolhendo lições da tormenta, certos de que a calmaria sobrevirá:

E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia.

E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos?

E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança.

E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?

(Mc 4:37-40)

[1] Mensagem recebida em 15.03.2020, no encerramento da XXII Conferência Estadual Espírita do Paraná.
[2] Bezerra de Menezes
[3] Resposta à questão 642 de O Livro dos Espíritos.
[4] Livro Conduta Espírita, lição 39 – Perante os Fatos Momentosos, psicografado por Waldo Vieira.

 

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