Reflexões científico-filosófico-religiosas

na clássica obra Camille Flammarion 

“Está longe de ser nova, a nossa crença: é venerável pelos anos que a amadureceram, é respeitável pelos nomes daqueles que a defenderam.” – Camille Flammarion

Nicolas Camille Flammarion, o poeta dos céus[1], é dos espiritistas de primeira hora, tendo contato com O Livro dos Espíritos em 1861, embora haja relatos de que teria comparecido, por “acaso”, no lançamento dessa obra, tendo a atenção atiçada pela movimentação em frente à livraria. Seria o primeiro contato com o Professor Rivail, de quem já conhecia a fama.

A despeito disso, quando contava apenas 16 anos, o jovem e futuro astrônomo comungava uma série de postulados com a doutrina espírita, conforme a lei da reencarnação explica, em especial a convicção de que não estamos a sós no universo, o que seria tema de sua obra Pluralidade dos Mundos Habitados (La Pluralité des Mondes Habités), concluída em 1861 e publicada no ano seguinte.

O francês de Montigny-le-Roi redigiu muitas obras voltadas ao tema, sendo que diversas, como a que ora comentamos, não são espíritas, mas cujo estudo faz sentido à luz da vasta argumentação e rico raciocínio de Flammarion, ligado à temática da doutrina.

A obra, de impressionante sucesso editorial, é o apanhado de uma série de pensamentos de respeitados filósofos e cientistas ao logo dos séculos, ou milênios, além dos próprios do autor, baseados em fatos e decorrências, chegando a uma visão ampla do cosmo e seus princípios, concluindo que há um grande encadeamento de processos na ordem universal, e nenhum deles nos leva a concluir que a Terra se encontra em posição especial ou privilegiada dentre os astros, pois “não foi distinguida entre os outros corpos celestes, que não é nem a menor em superfície, nem a mediana, nem a mais extensa”. Na conclusão do capítulo II do Livro Segundo, resume:

a Terra não tem nenhuma preeminência notável, de maneira a ser o único mundo habitado, e que os outros planetas têm uma importância ao menos igual à sua no destino geral do sistema do mundo.”

Flammarion trata da harmonia universal e interdependência entre todos os astros do universo, de modo que não faria qualquer sentido que todos os astros exercessem influência uns sobre os outros, do mais próximo ao mais distante, do maior ao menor, sendo que, exclusivamente para a questão da existência da vida, não existiria uma cooperação universal, ou seja, tudo se interliga e comunica por meio de regras comuns, exceto no que diz respeito à vida, que seria exclusiva da Terra. Tal ideia feriria a lógica do universal:

“Haveria necessidade de nos estendermos sobre esta lei primordial, para mostrar que a natureza não poderia estabelecer um sistema de mundos no qual um dos membros seria exceção à regra geral, e que, por conseguinte, a Terra não seria habitada se estivesse na ordem das coisas que os planetas fossem destinados a uma eterna solidão?”

A lógica apresentada, bem como a recorrente utilização do termo natureza, demonstra que a obra, embora tenha por princípio a existência de Deus, não se fia em afirmações vagas da vontade do Criador, ou seja, reconhece-se que Deus deu a ordem das coisas, mas o autor não buscou sua sustentação no alvitre divino, mas sim na ordem natural. Ao que crê em Deus, tal ordem foi instituída pelo Criador. Ao que não crê, seja qual for a fonte dessa ordem natural, o fato é que ela existe e permeia o universo, de modo que a obra pode perfeitamente ser lida e aceita por um ateu.

Essa correlação é vista especificamente no que diz respeito à vida: “entre todos os animais que povoam a Terra, não há um só que não viva às expensas dos outros seres vivos… todos os seres vivem para alimentar a vida”. Assim, a vida é um ponto focal da natureza. Contudo, nesse caso, “a lei da vida é a lei da morte”, e “pensar-se-á que essa lei é necessária, e que faz parte da ordem absoluta não ser possível viver sem vítimas? Pensar-se-á que em todos os mundos o homem seja forçado a matar e devorar para manter sua existência? Tal opinião pareceria absolutamente falsa”.

Flammarion cita Epíteto, que ensinou que “a lei de morte” “é lei da natureza material e secundária; não acontece assim na natureza primordial e etérea”. Logo, o astrônomo avalia que deve haver condições de vida superiores à nossa, questionando acerca da possibilidade de a “respiração, modificada e completada, seja suficiente para alimentar o organismo”. É o que vemos em Nosso Lar, como André Luiz nos informou décadas após o estudo de Flammarion.

Como dito na advertência da 29ª edição, “o destino do homem não é o mesmo se a Terra constitui sozinha o universo, ou se ela não é mais que um ponto imperceptível perdido no grande todo” e, embora baseado em sábios de diversas eras, o autor pede uma “nova filosofia”, pois “os homens começam a ter a idade da razão”.

Na introdução, sentindo o espírito de seu tempo, em perfeito alinhamento com o trabalho de Kardec, Flammarion diz que a humanidade está “inquieta à espera de uma filosofia religiosa na qual possa depositar suas esperanças”. Mas se critica a filosofia religiosa, também não contemporiza com a ciência, “que nunca foi tão pouco filosófica, tão isolada quanto hoje”. O astrônomo percebia que as asas da sabedoria, o intelecto e a moral, encontravam-se capengas, e que somente por meio do diálogo seria possível chegar a um ponto justo, não por acaso afirmando que a pluralidade dos mundos “é uma doutrina ao mesmo tempo científica, filosófica e religiosa”, e fala da “Religião pela Ciência”. Ou seja, Flammarion baseia sua obra nos mesmos pilares da doutrina espírita.

Nessa linha, podemos voltar aos hoje tão criticados tempos antigos, nos quais nosso planeta era colocado como o centro do universo. A tese encontra-se cientificamente refutada. Por outro lado, ao não admitir a vida em outras paragens, muitos homens nada mais fazem que repetir o mesmo equívoco, baseado nas sempre parciais observações científicas. Quando dizemos “parciais”, não fazemos qualquer chacota da ciência, uma das maiores conquistas da humanidade, como consta da questão 19 de O Livro dos Espíritos, onde se lê que a ciência foi dada para o adiantamento do homem. Muito pelo contrário, quem diz isso são os filósofos da ciência, como o francês Bruno Latour, que concluíram que a ciência não busca uma verdade indiscutível, mas discutível, o que se vê de uma simples observação histórica, uma vez que muitos postulados tidos por verdadeiros são refutados posteriormente.

O físico e matemático Isaac Newton explicou a gravitação e, em lance de sublime genialidade, compreendeu que o mesmo fenômeno que atraía a maçã para Terra – ainda que a história da maçã seja anedótica – fazia com que a Terra fosse atraída pelo Sol e, assim, estendeu um fenômeno ordinário para explicar o funcionamento do universo. Contudo, sua explicação, perfeita para o nosso mundo, falhava na determinação da órbita de Mercúrio, por exemplo, um planeta vizinho.

Em apenas dois séculos, o alemão Albert Einsten, avançando na compreensão do fenômeno gravitacional, elaborou teoria que explicava a órbita de Mercúrio e, por conseguinte, afastava algumas certezas newtonianas. Do mesmo modo, suas conclusões foram estendidas ao cosmo, chegando-se a um universo que se expande e, portanto, vindo de um ponto primordial, conforme a Teoria do Big Bang. Mas será que o avanço da astronomia e a possibilidade de descobertas cada vez mais ao longe na imensidão não mostrarão os defeitos dessa teoria, assim como ao deixar nosso planeta o gênio inconteste de Newton esbarrou logo em Mercúrio?

Acompanhemos as notícias científicas, e veremos que a cada nova observação surgem questionamentos, como planetas que, segundo as teorias vigentes, não deveriam existir[2].

Flammarion cita antigas doutrinas da Índia, China e Arábia, que já tratam da pluralidade dos mundos e também que “a alma vai para ao mundo ao qual pertencem suas obras”. Avançando no tempo, menciona a obra Cosmotheoros, do astrônomo Huygens, com a ideia de que “os homens dos planetas são semelhantes a nós, seja do ponto de vista físico, seja do ponto de vista intelectual e moral”.

Cita Louis Cousin-Despréaux, que acrescenta a existência de “diferentes ordens de criaturas, e povoados, como na nossa Terra”, ou seja, existe uma ordem universal similar à que encontramos em nossos planeta, e menciona Emmanuel Kant, para quem “nem mesmo há necessidade de sustentar que todos os planetas são habitados, pois negá-lo seria um absurdo aos olhos de todos ou ao menos aos olhos da maioria”. Por isso, conforme Flammarion, se há uma grandiosidade de espécies diferentes no globo, que dizer da quantidade de espécies nos incontáveis orbes, afinal, “nem a diversidade dos climas, nem a extensão das distâncias, nem a altura, nem a profundidade, puseram obstáculo à difusão dos seres vivos”. Assim, “os mundos são povoados, uns por espécies que podem oferecer alguma analogia com as que vivem sobre a Terra, outros por espécies que não poderiam viver aqui conosco”.

Flammarion, conhecedor e adepto da então recente Teoria da Evolução de Darwin, não teve medo de, ao contrário de muitos cientistas até o nosso tempo, afirmar que “o antigo problema da geração espontânea não foi ainda resolvido”, quer dizer, ainda que a vida descenda da vida e evolua, como surgiu a vida primeira? Portanto, entende que essa força primária “agiu em todos os lugares, segundo elementos variados inerentes a cada um dos mundos”, afinal, uma teoria de evolução não pode ser tida como de criação.

Na contramão do que muito se diz ainda em nosso tempo, afirmar a inexistência de vida fora da Terra com base na inexistência de condições similares às do nosso planeta, decorre de se transportar os elementos terrestres para tais astros, “o que lhes retira completamente todo valor científico”. Ou seja, não há óbice a buscar outras formas de vida a partir da nossa, mas não encontrar tais condições permite apenas afirmar que não pode existir vida como a nossa em determinado lugar, mas não a inexistência da vida.

Ainda nessa discussão, Flammarion, compreendendo a grandeza da natureza, inverte o usual questionamento, e pergunta: “não é o estado da natureza física que determinou que a vida nascesse sob tal ou qual modo, se revestisse desta ou daquela forma, e todos os seres não estão ligados a este estado pelas forças que os engendraram ou que os sustentam?”. O astrônomo, com grande percepção de causa e efeito, compreende que a vida na Terra existe sob tais condições porque eram as adequadas ao planeta, e não o contrário, ou seja, graças às condições da Terra surgiu a vida. Enfim, a vida é um conceito superior e inerente ao universo, a forma é que vai depender da condição do orbe.

Uma questão importante, e da qual Camille Flamarion, como cientista, não foge, é a de que não se pode confundir uma teoria ou uma certeza filosófica com uma prova. Em ciências naturais, as explicações teóricas devem encontrar as provas dos fatos – uma coisa é dizer teoricamente que eu posso chegar a Brasília de carro, outra é provar que vim de carro. Assim ele informa não ignorar “que quando se trata de doutrinas especulativas, bem como das ciências da observação, o grande número ou mesmo a gravidade das opiniões e testemunhos não são garantia suficiente da verdade dessas doutrinas”, mas afirma que “o estudo da natureza engendra e confirma na mente do homem a ideia da pluralidade dos mundos”, ou seja, a partir do estudo da ordem universal, Flammarion conclui que a inexistência de vida em outros orbes seria contrária a tal padrão. Em outras palavras, Flammarion compreende que há provas, ainda que indiretas, da vida, não se tratando de especulação filosófica. Se um homem, na savana africana, ouve o rugido de um leão, não precisa ver o animal para saber de sua proximidade.

A vida, como a conhecemos, ainda não foi encontrada em outros orbes. Contudo, há que ser considerado o fato de que apenas em 1995 foi encontrado o primeiro planeta fora do sistema solar (exoplaneta), ou seja, qualquer leitor com mais de 26 anos nasceu em um mundo em que, por mais que o homem já tivesse pisado a Lua e produzido sondas que pousaram o solo marciano, ainda se desconhecia qualquer planeta fora do nosso quintal.

Em uma pesquisa simples na internet, verificamos que hoje conhecemos menos de 5.000 planetas e em torno de 3.500 sistemas solares. Desses, grande parte fora da “zona habitável”, nome que se deu a planetas que estariam a uma distância de sua estrela-mãe compatível com a vida terrestre. Elaborou-se até uma equação para isso, cuja transcrição aqui nada acrescentaria, mas pode ser facilmente consultada.

Não custa dizer que a “zona habitável” de nosso sistema encontra-se entre Vênus e Júpiter[3], mas não foi ainda encontrada vida nesses planetas, ou em Marte, também na mesma faixa celeste, sendo também pertinente acrescentar que o termo vida vai desde o ser mais simplório até a vida inteligente.

Nesse aspecto, Flammarion cita Laplace, que reflete que “o homem, feito para a temperatura que goza na Terra, não poderia, segundo todas as aparências, viver nos outros planetas”. Contudo, questiona: “Mas não deve haver uma infinidade de organizações relativas às diversas temperaturas dos globos dos universos?” – é a ideia de outras formas de vida, afinal, nas palavras de Flammarion, “Deus … obrigou-se a não ultrapassar os limites de nossa ciência?”.

Por certo a ciência já vai além da “distância de Netuno” citada na obra, não só por diversos meios de observação, como pela sonda Voyager, que deixou o sistema solar, mas isso não afasta as conclusões, nem nos deixa menos essencialmente distantes das entranhas do cosmo. Se já não julgamos “toda a criação pelos fenômenos terrestres”, então “os únicos que podemos observar”, também não podemos dizer que estamos perto de abarcar o universo. Por mais que a ciência lhe ponha um limite, que foi da pequena singularidade que engendrou o Big Bang até o que hoje sabemos, isto ainda está muito distante de nossas possibilidades de plena observação.

Ao falar da vida, Flammarion não se esquece do fenômeno da morte, e especula sobre mundos mais evoluídos, nos quais “talvez o veneno da morte não circule nas veias dessas humanidades superiores, e nossa gelada morte não seja para eles senão a partida de uma alma para os familiares amados. Ali, o gênero humano chegou ao campo da verdade: religião, ciência e filosofia dão-se as mãos”. É precisamente o entendimento do Espiritismo sobre esferas mais evoluídas, nas quais a encarnação não é a prisão corpórea que vivenciamos, de modo que o intercâmbio entre os planos é mais simples e constante.

Algumas especulações concretas da obra hoje soam até engraçadas, como a de que a parte da Lua que não é visível da Terra ficaria “eternamente desconhecida”, e que talvez fosse habitada. Menos de 100 anos após a publicação da obra, o venerável astronauta Neil Armstrong toca, se não os pés, a bota, em nosso satélite, e observações demonstraram a inexistência de visa similar à nossa em qualquer face do astro. Contudo, a ideia central não se perde, até porque se especula a possibilidade de outras formas de vida, tanto que coloca que “o Sol só poderia ser habitado por seres diferindo essencialmente de nós em todos os caracteres”.

À luz da doutrina espírita, que não refuta a teoria evolutiva de Charles Darwin, há que se separar corpo e espírito. O corpo é fruto da evolução darwiniana, mas o espírito passa por um momento de criação que ainda não nos foi revelado, tanto assim que O Livro dos Espíritos nos mostra, na questão 597, “a”, que, podendo-se considerar o princípio espiritual dos animais como alma – questão apenas de nomenclatura –, a distância entre a alma dos animais e a do homem é similar à distância da alma humana para Deus.

Não se diga que especulações como as de Flammarion se encontram superadas. Ao contrário. Em 1961 o respeitado astrônomo Frank Drake criou a chamada Equação de Drake[4]. A partir de valores mensuráveis, como a taxa de formação de estrelas em nossa galáxia, e outros especulativos, como a fração de planetas adequados em que a vida realmente possa se desenvolver, chega-se a um número de potenciais planetas habitados por vidas inteligentes.

Novamente não estamos diante de provas, nem de um raciocínio pleno como o de Flammarion, e deve se considerar que o norte é a única vida aceita pelos cientistas em geral, a existência material terrestre. Dizemos cientistas em geral, e não a ciência, porque há inúmeras provas científicas desde o século XIX da vida espiritual, como nos célebres trabalhos de William Crookes, e os centros espíritas, bem como outras organizações religiosas, encontram-se abarrotados de cientistas, boa parte professores das melhores universidades do país, doutorados em respeitadas instituições pátrias ou do exterior, que comungam da certeza da vida espiritual.

Mas voltando à vida material, o que o homem dela conhece? Diz-se que mais sabemos do universo que do fundo do mar, e a cada dia somos surpreendidos por descobertas que renovam a ideia da vida, alargando os parâmetros conhecidos. A título de exemplo, em 2020 foi descoberto que um conhecido parasita, cujo tamanho não seria compatível com seres anaeróbicos conhecidos até então, como algumas bactérias, é anaeróbico, ou seja prescinde do oxigênio para seu metabolismo.

O parasita multicelular (10 células) Henneguya salminicola vive nos tecidos do salmão[5]. Não se tratava de um ser desconhecido, mas apenas sua condição de prescindibilidade do oxigênio era ignorada. Se não sabemos como funciona um ser conhecido, que dizer do desconhecido?

É de se mencionar o trabalho dos ufólogos, que investigam fenômenos inexplicados, potencialmente extraterrestres. Não conhecendo o assunto, não nos atreveremos a avançar, mas é certo que, ao contrário do que o preconceito de muitos leva a crer, na fieira dos ufólogos há muitas pessoas sérias e racionais, e não apenas deslumbrados que, eles sim, viveriam no mundo da Lua.

Nesse campo um aspecto chama a atenção. Na célebre obra “Eram dos Deuses Astronautas?”, de Eric Von Daniken, publicada no já distante ano de 1968, sustenta-se a hipótese de que os deuses dos povos antigos seriam extraterrestres, trazendo novos conhecimentos ao terráqueos, o que vemos hoje também em outras obras e programas como Alienígenas do Passado, do Discovery Channel.

À luz da doutrina espírita, não acatamos tal tese, mas muito antes da referida obra foi proposta a ideia de que espíritos de outros orbes encarnam na Terra, trazendo conhecimentos superiores, seja por meio de grandes migrações espirituais, como a dos espíritos capelinos, retratada especialmente na obra A Caminho da Luz, ou missões mais restritas, como a de grandes gênios que encarnam para trazer um novo conhecimento à humanidade.

Assim, embora por meios distintos, a ideia central de que seres de outros orbes não só existem como vêm ao nosso planeta para trazer conhecimentos novos é comungada por essas duas vertentes.

Em sua obra, Camille Flammarion fala no grande vazio que seria o universo construído para os humanos privilegiados, mas o conhecimento espírita avança ao demonstrar que não só os planetas são habitados, como outros espaços universais imateriais, seja em zonas inferiores, como o umbral, em colônias espirituais, como Nosso Lar, e outros planos ainda mais sublimes, cuja revelação nos chegará quando estivermos moral e intelectualmente preparados.

A ideia de planos que se cruzam sem que se perceba, do mesmo modo que, à exceção dos médiuns videntes, não enxergamos os espíritos ao nosso lado, também não é exclusiva da doutrina espírita. Quantas obras e filmes falam em outras dimensões, e quanto se fala em nossos dias em multiversos, ou seja, a pluralidade de universos?

Ao final, Flammarion faz reflexões mais metafísicas, com imensa beleza e trazendo conceitos similares aos espíritas, e fazendo remissão ao Deus das Estrelas – e não ao Deus os Exércitos, como preferem muitos tradutores da Bíblia.

Camille Flammarion, embora à frente de muitos de seu tempo, na verdade resgata uma série de sábios e ensinamentos do passado, aliando ao avanço científico de sua época, demonstrando não só que a ideia da vida fora da Terra é muito antiga, como não seria lógico ser diferente. Retomando argumento já utilizado aqui, ao mesmo tempo em que se retirou a Terra, materialmente, do centro do universo, do ponto de vista filosófico, muitos ainda mantêm a condição de privilégio quanto à existência da vida, em desarmonia com o que a visão astronômica demonstra, pois tal solidão humana contrariaria todas as regras universais, considerando ou não Deus como sua fonte – e Flammarion sabiamente o considera.

A obra de Flammarion permanece incólume ao longo de quase dois séculos, ainda que feita a devida atualização em algumas informações científicas, merecendo ser lida e meditada por espíritas e não espíritas.

A vida é um fenômeno universal, fruto da harmonia da natureza, e da amorosidade do Criador:

Se a Terra fosse o único mundo habitado no passado, presente e futuro; se fosse a única natureza; a única habitação da vida; a única manifestação do poder criador; seria um fato incompatível com o esplendor eterno, ter formado como obra única, um mundo inferior, miserável e imperfeito”

 

[1] epíteto conferido pelo célebre filósofo e historiador Jules Michelet

[2] “Descoberto um planeta que não deveria existir”, El País, 27.09.2019

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/25/ciencia/1569433385_092864.html

[3] https://www.infoescola.com/astronomia/zona-habitavel/

[4] Aqui um vídeo interessantíssimo explicando a Equação de Drake:

[5] https://www.bbc.com/portuguese/geral-51650999

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