A era de Augusto trouxe uma quietude diferente. O imperador Caius Julius César Octaviano Augustus, de saúde frágil, mas alma nobre e inquebrantável, via o Império Romano, até então tão imponente e belicoso, acalmar-se numa serena atmosfera de paz. Desenvolviam-se as artes, e o belo dava lugar à paisagem dantes calcada nos rastros das conspirações políticas e conquistas sanguinárias.

Quem explica? Nenhum historiador, à época, pôde fazê-lo.

Ninguém via, mas as almas simples e humildes pressentiam aproximar-se o Cristo do orbe terrestre. Muitos dos seus enviados já estavam encarnados, arando o terreno para recebê-lo. Outros tantos preparavam-se, no plano espiritual, para lhe seguir os passos na vindoura experiência.

O Mestre, por amor inigualável, deixaria o mundo celestial, destinado às almas puras, para mergulhar no pântano lodoso e sombrio e anunciar as verdades eternas do Pai, legando-nos roteiro definitivo para ascensão espiritual.

Em breve, o Cordeiro de Deus estaria entre nós e, como enuncia Emmanuel, seria inaugurada a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade terrestre, de vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações (A caminho da luz. Francisco Cândido Xavier. Cap. 12. FEB).

O Divino Amigo iria se revelar ao mundo como o caminho, a verdade e a vida (João 14:6).

Na manjedoura, ensina-nos o primeiro passo para iniciarmos a caminhada para o reino de Deus, demonstrando que a humildade e a simplicidade são virtudes inarredáveis da trajetória que nos aguardava. Desapegado de toda estrutura material existente, não escolheu palácio para nascer nem reis para serem seus pais. Por amigos, tomou os animais.

No liminar de suas pregações, reuniu, em sua maioria, pescadores simples para que, identificados com eles, também nós nos sentíssemos pertencentes ao rebanho divino.

Sem laços com o poder ou a fortuna, mostrou-nos que é possível ganhar o mundo sem perder a si mesmo e que as alegrias verdadeiras não se prendem às ilusões efêmeras, mas às conquistas imperecíveis da alma imortal.

Personificou a estrada que haveríamos de seguir, palmilhada, muitas vezes, de incompreensão, ingratidão e abandono a fim de nos exemplificar que a vida eterna, como ponto de chegada, exigia que suportássemos o peso das vicissitudes terrenas, bem como das nossas próprias iniquidades.

Jesus foi a Verdade que se mostrou aos nossos olhos como luz deslumbrante, cegando a ignorância acostumada a discriminar, julgar e punir.

Personificando a vontade divina, desvaneceu as crenças antigas, educando as almas infantis para construir o porvir em bases sólidas, cujos pilares são a indulgência, a benevolência, o perdão, enfim, o amor.

Transeuntes perdidos nos enganos milenares, críamos no Deus vingativo, mas o Senhor da criação nos é apresentado, pelo Filho dileto, como Pai amoroso. Para alcançá-lo bastaria que, no templo da natureza, silenciássemos nossas inquietações, voltando a Ele, em súplica, os corações sofredores.

Esclarecidos sobre a desnecessidade de intermediários ou lugares circunscritos para ascendermos ao Pai, mais nos afeiçoamos e fortalecemos a fé.

O Mestre nos descortinou a realidade insofismável: o próximo é o caminho mais breve para chegarmos à Presença Divina. Não apenas os irmãos de pátria, parentes de sangue ou companheiros de jornada. Todos são merecedores do pão que alimenta, do remédio que cura, do abraço que acolhe, da misericórdia que socorre.

Nossa inteligência deve esclarecer a ignorância, nossa força sustentar os caídos, nossa voz consolar os aflitos, nossos ouvidos e olhos olvidarem o escândalo e, acima de tudo, nossos corações devem amar. Amar a luz e a sombra, porquanto foi assim que Jesus nos amou. Não como santos ou pecadores, apenas como almas em construção, aguardando a semeadura da boa semente a fim de despertarmos para a vida eterna.

Cristo é fonte inesgotável de vida. Seu Evangelho é alegria, é transformação, concitando-nos ao resgate de nossa essência divina. Ele nos eleva à condição de filhos de Deus, merecedores da felicidade, razão por que as agruras da carne ganham contornos diferenciados. Não mais castigo, mas oportunidade de elevação. Em lugar do pranto desesperado, surge a lágrima resignada que encontra motivo para silenciar a revolta, enquanto aguarda laboriosa a tempestade passar.

Com Jesus, de expectadores inertes, acostumados a pedir, passamos a opífices de nossos destinos, submetidos à perfeita justiça da lei de causa e efeito. Tantas vezes o Amigo Maior enunciou: Vá e não peques mais, dando-nos a entender o quão responsáveis somos na realização da felicidade ou no encontro com a desdita. Transparece, a partir daí, sentido novo para a existência: o que sou é o que faço de mim.

E, para que não houvesse dúvida, o Filho de Deus fez-se morto na carne e ressurgiu para demonstrar a imortalidade do ser. Assim, de escravos agrilhoados às trevas, ganhamos a esperança de alçarmos a cimos celestiais. Não somos mais seres fadados ao nada, espera-nos o futuro em vida abundante.

Jesus revelou-nos a verdade do amor para trilharmos o caminho da redenção, ganhando a vida eterna. Se nossa consciência ainda dormita envolta no cascalho duro do personalismo, é porque não O ouvimos e, se O ouvimos, não cremos Nele. Mas, como chama divina eternamente conosco, continuará a nos iluminar e esclarecer para que, quando estivermos prontos, possamos ouvir e crer, operando as transformações imprescindíveis para galgarmos os degraus até a Presença Divina.

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