Nosso amigo Zaldo Borges relata um incrível trabalho que realiza em escolas públicas no DF, e que pode servir de inspiração para a Evangelização

 

A partir de 2002, os telefones celulares passaram a integrar, ao seu corpo, uma série de aplicativos e conectividade com a Internet, surgia assim, o Smartphone. O barateamento dessa tecnologia permitiu sua popularização e as possibilidades de utilização passaram a ser estudadas por variados pesquisadores. Sou mais um a explorar o potencial dos smartphones na produção de vídeos com meninos e meninas de 10 a 14 anos, numa escola pública do DF, projeto chamado CINE COM CIÊNCIA: Luz, Câmera… Educação! Trata-se de uma vertente da Educação em Artes Visuais que ainda está em seus primeiros passos, mas já demonstra que pode ser um ingrediente importante para a educação de qualidade nas escolas.

Dado o potencial de um vídeo, vemos como de muita importância que nossas casas espíritas, particularmente na evangelização da infância e juventude, façam uso desse recurso para que nossos jovens se expressem, contem suas histórias, reflitam sobre a vida e obra de Jesus e permitam que o mundo possa conhecê-las.

Os smartphones colaboram para uma revolução na comunicação humana.

Para que um bom vídeo seja produzido é importante a elaboração de um roteiro. Talvez esteja aqui um diferencial do nosso projeto: elaborar bem a história, debatê-la em detalhes, planejar como, com quem e onde será realizada. Assim, se bem planejado, conseguimos até prever a emoção que a obra despertará nos expectadores.

Tão importante quanto “como filmar”, é “o que e por que filmar”, ou seja, é relevante que se use bem das técnicas para captação de imagens e sons com qualidade, mas, ainda mais importante, é que se tenha um objetivo nobre e altruísta na história a ser contada. Filmes que digam algo para o jovem, que o façam pensar, melhorar-se e crescer com a mensagem  é um dos propósitos do nosso projeto.

Como espírita e professor de cinema, gosto de trabalhar narrativas com os alunos, de forma que o produto represente algo que faça os alunos crescerem. Estimulo os alunos a contarem suas histórias e sinto-me satisfeito quando a mensagem do filme[1] que produzem atinge outros jovens e os ajudam a pensar o mundo numa perspectiva de busca de um mundo melhor, com mais harmonia, justiça e paz.

Sempre gostei de produzir vídeos, mas em 2015, troquei a disciplina a ministrar aulas na Secretaria de Educação: não mais Matemática ou Física; passei a dialogar com os alunos sobre Cinema. Os resultados advindos mostraram que foi acertada a minha decisão. Estava sendo um pioneiro a trabalhar com celulares e a linguagem do cinema para um público muito jovem: meninos e meninas de 10 a 14 anos. Com o empenho dos alunos, passamos a ganhar festivais, a incentivar à criatividade, o protagonismo juvenil, a mediação de conflitos, a interdisciplinaridade através da produção de vídeos. Os bons resultados fizeram que, em 2017, nosso projeto fosse escolhido pelo MEC como uma das 30 práticas inspiradoras implantadas nas escolas públicas do Brasil. Também, naquele ano, ganhamos o 10º Prêmio Professores do Brasil, como a melhor prática pedagógica da Região Centro-Oeste, voltada para alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

Neste artigo, destacarei algumas obras que produzi e outras em que ajudei os alunos em suas produções e que demonstram o potencial de um vídeo na formação dos jovens.

Ainda em 2011, organizei uma oficina de produção de vídeos com dez adolescentes de 15 a 17 anos. Nela, produzimos uma ficção de 20 min: 100% Completamente Bem Resolvida!  Na narrativa ficcional, Júlia, uma adolescente vive seus problemas com a escola, com o namorado e com uma doença que a debilita. Decidir reajustar sua vida a faz, passo a passo, vencer as dificuldades que vivia, deixando-a “100% completamente bem resolvida”.

[1] A rigor um filme é um produto audiovisual feito em película de celuloide e um vídeo é um produto feito com gravação digital. Neste artigo utilizo os dois termos como sinônimos tendo em vista que, hoje, a esmagadora maioria dos filmes é realizada de forma digital.

Clique no link para assistir: https://youtu.be/T1Xdq2Ufuis

Inscrito no Festival de Avanca, em Portugal, este filme abriu a Conferência Internacional sobre Cinema, Arte, Tecnologia e Comunicação – AVANCA 2012. Lá pudemos dialogar com professores, pesquisadores e cineastas de 20 diferentes países. Da conversa, colhemos a certeza de que, já naquela época, em muitos países, escolas estavam se preparando para fazer dos smartphones, elementos importantes na dinâmica de ensino-aprendizagem e, dentro das possibilidades de uso, os aplicativos de gravação de imagens e sons, mostravam-se como boas ferramentas a serem exploradas.

O filme “A Escolha”, da aluna Maria Eduarda, na época com 13 anos, traz o tema do suicídio infanto-juvenil e suas consequências. Esse vídeo passou a ser utilizado em outras escolas, particularmente, no mês de setembro, e mostra a importância do apoio familiar e da busca profissional para superar os problemas juvenis.

Clique no link: https://youtu.be/XwJWEMyYJvc

O filme “Uma questão de escolha” mostra que a reforma íntima de um indivíduo é precedida por uma firme vontade de mudar para melhor. O curta foi criado por alunos de 10 e 11 anos.Clique no link:  https://youtu.be/CjqYPMxkQAE

 

Depende de nós” traz reflexões sobre o que é corrupção, quem a pratica e o que é necessário para “consertar o mundo”.

Clique no link:  https://youtu.be/JZtCFPIWRGU

O filme “Cai na Real” mostra a importância de se repensar as coisas que temos para bem viver. Traz uma crítica ao consumismo e foi criado pela aluna Elimaewe quando tinha 13 anos.

Clique no link:  https://youtu.be/cifhCpWu3Ic

Em 2017, tivemos o filme “Deixe o Barro Secar!” selecionado para o 7º Festival de Cinema Transcendental e o filme ganhou o Troféu Luz de Melhor Vídeo Júri Popular. A trama aborda o sentido do perdão e a importância de não se tomar decisões no “calor do momento”.

Clique no link: https://youtu.be/DgsUOeyThIU

 Com os pré-adolescentes criamos mais de cem curtas-metragens[1] e mantemos um canal no YouTube com os filmes produzidos: Erizaldo Cavalcanti Borges Pimentel

(link: https://www.youtube.com/channel/UChSRkYTxlz6evufneja5A1g )

OBSERVANDO OS ALUNOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE VÍDEOS

Na produção de cada filme passamos a identificar características de cada indivíduo, fruto das etapas e dificuldades que aparecem: liderança, iniciativa, organização, criatividade, solidariedade, disponibilidade, mediação de conflitos. Essas competências socioemocionais são valorizadas e até esperadas nos profissionais em seus ambientes de trabalho.

O ano letivo culmina na montagem do nosso Festival de Cinema CURTA um CURTA onde são apresentados à comunidade escolar, os melhores filmes produzidos. Os doze trabalhos que se destacam recebem o troféu Cruzeirito.

Exposição dos Troféus Cruzeiritos no 4º Festival de Cinema CURTA um CURTA, em 2018. Realizamos a 6ª edição do Festival, em 2021.

 

ALGUNS RESULTADOS

Conseguimos explorar os smartphones em suas funções: filmar, gravar áudio e editar vídeos, permitindo assim envolver a maioria dos alunos em produções audiovisuais que dialogassem com o universo juvenil.

Dentro das produções tivemos a participação de muitos professores e vários pais de alunos, pois, quando havia a necessidade de adultos na história, eram esses os convidados, pelos alunos, a atuarem nos filmes.

Percebemos que o projeto é uma excelente ferramenta para propiciar o diálogo entre todos que compõem a escola.

PARA ALÉM DO FIM

Discutir com os alunos por portarem seus aparelhos celulares, atrapalhando o fluir da aula, tem sido uma constante em variadas salas de aula. Disciplinar, negociar, dialogar e aproveitar do potencial dessa tecnologia é fazer do “vilão celular” um aliado à educação.

Cada vídeo produzido pelos alunos é um documento que apresenta nossa época, como hoje pensamos, como trabalhamos, como interpretamos o mundo. O potencial de um vídeo, que é o constructo que representa o que existe de mais sofisticado em comunicação humana, exige planejamento, organização, disciplina, método, disposição e persistência. O aprendizado e a experimentação na participação de um produto audiovisual, podem modificar para melhor o indivíduo, na medida em que o estimula a exercitar virtudes que permanecerão para além da produção audiovisual.

SOBRE O FILME LONGA-METRAGEM “A GRANDE VIAGEM

Obtivemos da Federação Espírita Brasileira, – FEB, a autorização para transformar, em filme, a história de Carlinhos, apresentada no livro “Mensagem do Pequeno Morto”, obra ditada pelo Espírito Neio Lúcio ao estimado médium Chico Xavier. Se tudo ocorrer como previsto, em outubro de 2024, nosso filme estará nas salas de cinema. Fizemos um teaser sobre o projeto. Clique no link para assistir:   https://youtu.be/eEsLFYyRGqw

CONCLUSÃO

Inexoravelmente, a produção de vídeos com aparelhos celulares estará cada vez mais presente na sociedade. Devemos, pois, aproveitar o momento para aprofundarmos como melhor dispor deste instrumento tecnológico. Entre as múltiplas formas podemos promover um estudo sistematizado da linguagem audiovisual para, conhecendo a história, as técnicas e a arte da narrativa, propiciarmos aos jovens a possibilidade de se expressarem criando seus vídeos de variados matizes contando suas histórias, expondo suas reflexões.

[1] As academias de cinema definem um filme de até 20 minutos como um curta-metragem. De 20 a 70 minutos como um média-metragem. Acima de 70 minutos como um longa-metragem.

[2] As academias de cinema definem um filme de até 20 minutos como um curta-metragem. De 20 a 70 minutos como um média-metragem. Acima de 70 minutos como um longa-metragem.

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