*Márcia Léon é médica gastropediatra e Vice Presidente da AME Planalto

 

Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!  Jesus (João 8:32) ¹

 

O Evangelista João, ao retratar esta fala de Jesus, nos convida a alguns minutos de reflexão.

Nesta passagem, Jesus ladeado pela multidão,  e com ela, vários escribas e fariseus, é questionado acerca de algumas condutas sociais que àquele tempo eram comuns, como por exemplo, o apedrejamento da mulher pega em adultério.

Ao analisarmos esta cena em nossa tela mental, veremos que muitos daqueles que estavam naquele momento, guardam ainda muita representatividade em nosso momento atual.

Sempre que avaliamos o pensamento humano, veremos que, ao longo do tempo, ao iniciarmos a nossa jornada nesta casa planetária, nos primórdios do planeta após o resfriamento da crosta, a formação dos mares, das florestas, dos primeiros seres vivos, dos primeiros aglomerados humanos, este pensamento foi se desenvolvendo gradualmente. Inicialmente, através do mecanismo instintivo, foi em busca das experiências que poderiam determinar, em última instância, aquisições do aprendizado cognitivo, como por exemplo o hábito da caça, da pesca, das primeiros relações interpessoais  e ligações familiares.

À medida que vários agrupamentos reunidos, ao formaram uma comunidade, o pensamento de reunião, de colaboração, de prestatividade, de empatia foi possibilitando ao homem um desenvolvimento impressionante, não apenas no campo cognitivo, mas também no refinamento das emoções.

E mais ainda, quando estas emoções vão, em épocas anteriores, ao encontro do sagrado, ao encontro da divindade, estas emoções foram gradualmente buscando um refinamento intrínseco, utilizando todo o aparato cognitivo do homem, e desembocando na realidade e no cultivo dos sentimentos.

Sentimentos estes que passam, de tempos em tempos, por burilamentos internos, mas com expressão externa na convivência interpessoal em intensidade e frequência, sendo que a cada época da humanidade, o homem aprendeu a discernir através das suas escolhas, do seu livre arbítrio, entre qual caminho escolher, quando colocado à frente de uma bifurcação de opções, em algum momento  da sua vida, e assim decidir qual caminho será o melhor para si e para aqueles que dividem com ele, esta escolha.

Assim, quando observamos a trajetória humana, vemos que os instintos, as emoções e os sentimentos fazem parte de uma escalada ascensional de aprendizados do espírito, de elaborações pessoais, e mobilizam de alguma forma, a realidade da humanidade, que vem, desde há séculos, sendo aprimorada no campo da cognição, do pensamento racional, mas também no aprendizado do amor.

Mas nem sempre, esta ordem, no campo pessoal, foi seguida. O egoísmo e o orgulho, como parte do aprendizado maior do ser, de auto superar-se, também foi a campo, colocando-nos em prova, pelas opções de escolhas e de discernimento.

Em todas as épocas da humanidade, as convulsões sociais, de alguma forma sacudiram o planeta e estimularam a psique humana a decidir qual o melhor caminho a seguir. Sabemos, que o pensamento do ser espiritual, encarnado ou não, , influencia e é influenciado pelos seus pares, nos dois planos da vida. O Livro dos Espíritos nos atesta esta informação dada pelos espíritos da codificação na pergunta 459²;  pela lei de sintonia e afinidade, nos ligamos com aqueles que pensam e sentem como nós.

Neste momento atual, em que a humanidade passa por uma transformação social importante, a psique humana é convidada mais uma vez a discernir em qual caminho trilhar. Desta forma, estamos diante de um período de transformação, em que o ser espiritual está convidado, a promover em si, o rompimento dos padrões do homem velho, buscando o homem novo, mas em uma base estruturada no autoconhecimento.

Allan Kardec, Emmanuel, André Luiz, Joanna de Ângelis, e tantos outros beneméritos trabalhadores da vinha espiritual, nos fazem este convite, de voltarmos a nossa atenção a este auto burilamento pessoal. Seria este caminho isento de sofrimento do ser?

Neste momento em que vivenciamos a transição planetária, que gradualmente tem sido um marco atual na humanidade terrena de rompimento de laços internos, envelhecidos e adoecidos, vemos, em nossa tela mental, períodos turbulentos, de expressões incomensuráveis imensuráveis, que sacodem os torvelinhos sociais em todas as direções. Nunca se viram tantos transtornos psíquicos desencadeados, como os quadros depressivos, os transtornos de ansiedade, os transtornos afetivos bipolares, os processos esquizofrênicos, as viciações de toda a ordem. Vemos por todos os lados, rompimentos com a ética, com as leis morais, seja em sua mínima ou máxima expressão, quando observamos apenas o olhar materialista em que grande parte da população está inserida. E isso também traz sofrimento.

A psique humana, tem uma grande capacidade de se adaptar às situações. O processo racional, que é um mecanismo de alta complexidade, apresenta alta modulação de mudanças de paradigmas, de rompimentos com o que está à margem do ser, mas também no que está inserido no campo dos sentimentos. Quando se fala em transição, estamos falando de algo que está vinculado com a mudança de modelos pré estabelecidos, que, muitas vezes, não apresentam fundamentos sólidos no embasamento social. E o capítulo Liberdade, Igualdade, Fraternidade em Obras Póstumas³, pela escrita de Allan Kardec nos mostra, com toda a sua assertividade, esta referência.

E qual seria o modelo de melhor seguimento, de melhor apoio a esta mudança na transição atual da crosta terrestre? A resposta, Emmanuel, já nos traz no prefácio do livro Caminho, Verdade e Vida, se referindo a Jesus :“Sua luz imperecível brilha sobre os milênios terrestres, como o verbo do princípio, penetrando o mundo, há quase vinte séculos … e segue: Ele é o Amigo Generoso …(4)

 

Jesus nos conhece a todos pelo nome, pela vivência pessoal de cada um, ao longos das nossas múltiplas existências. Apenas a ele, cabe o entendimento profundo das nossas angustias, dos nossos dramas internos, das nossas escolhas, das nossas ações. Por isso, deixou no seu evangelho de luz e amor, o roteiro certo e inquestionável para a nossa caminhada nos dois planos da vida, em busca da nossa identidade espiritual plena.

Assim a psique humana, em momentos de extrema dor, em algum momento neste roteiro vivencial,  busca o regaço fraterno, o amparo  em seus braços, em sua excelsa imagem que nos preenche, que nos direciona no caminho certo, nas oportunidades de escolha que nos deparam pela frente.

No livro Jesus e Atualidade, de Joanna de Ângelis (5), em sua página introdutória, a mentora nos assevera, se referindo ao Rabi da Galileia: “A sua proposta de aferição de valores — os materiais como os espirituais — oferecia a excelente oportunidade para o despertamento mental a respeito da vida e a consequente experiência vivencial em clima de harmonia íntima, com uma identificação entre as possibilidades e as circunstâncias existenciais. Sem utilizar-se de expressões e conceitos interpolados, falava uma linguagem de simples apreensão pela massa ignorante e pelas mentes elitizadas que o buscavam”.

 

Com Jesus, estaremos sempre com a melhor opção de  discernimento em nossas vidas. Mesmo em tempos de transição, o Mestre nos orienta o roteiro pessoal, a condução da nossa psique e os nossos sentimentos. Aliás, o profeta Isaías nas Sagradas Escrituras do Velho Testamento já nos assegurava em 43:8 (6)– “que possamos ter olhos de ver e ouvidos de ouvir”.

 

Apenas assim, internalizando esses conceitos e essa busca plena, podemos cultivar a vinha interna e caminharmos em direção às nossas conquistas do espírito imortal, que somos. Ave Cristo!

 

Referencias bibliográficas:

  1. ALMEIDA, JF, 2011, Bíblia Sagrada, João 8:31-32, 3ª edição, Santo André, SP
  2. KARDEC, Allan, 2013. O Livro dos Espíritos, Influência Oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos, Tradução Guillon Ribeiro, 93ª edição, FEB, Brasília, DF
  3. KARDEC, Allan, 2010. Obras Póstumas, Liberdade , Igualdade, Fraternidade, Tradução Guillon Ribeiro, 27ª edição, FEB, Brasília, DF
  4. XAVIER, FC, Emmanuel, Caminho Verdade e Vida, Introdução, 28ª edição, Rio de Janeiro, RJ
  5. FRANCO, D.P, Joanna de Angelis, 2019, Jesus e Atualidade, pág. 8, 13ª edição, Ed LEAL, Salvador, BA
  6. ALMEIDA, JF, 2011, Bíblia Sagrada, Isaías 43:8, 3ª edição, Santo André, SP

 

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