Por Ricardo Baraviera

 

Não extingais o Espírito; não desprezeis as profecias; mas ponde tudo à prova, retende o que é bom.

I Epístola de Paulo aos Tessalonicences 5:19-21

Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem para ver se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.

I Epístola de João 4:1

 

O fenômeno mediúnico expressou-se em todas as culturas ao longo da História, já que nenhum povo foi privado das lições da espiritualidade superior – e das amizades menos felizes de outro plano. Contudo, tal intercâmbio nem sempre foi compreendido, mas, frequentemente, negado, diante de todas as evidências contrárias, haja vista não se ajustar à doutrina dominante de então.

Sem a pretensão de exaurir a matéria, apreciaremos uma série de fatos ocorridos que, com total respeito à interpretação daquele povo ou doutrina, são fenômenos mediúnicos à luz da doutrina espírita, ou seja, manifestações do mundo espiritual no mundo material, por meio de homens encarnados.

Antes de pensarmos em fenômenos grandiosos, há que se lembrar da presença humilde da mediunidade em nossa vida, haja vista que todos somos, em algum grau, médiuns.

Se prestarmos atenção à nossa intuição, veremos que esta é nosso inevitável contato com o invisível, ainda que não tenhamos características ostensivas.

Dias atrás, minha cunhada contou-me um fato ocorrido com uma amiga; a moça morava num barraco de encosta, com marido e filhos. Determinada noite, começou a chover – como em tantas outras -, e ela decidiu que a família deveria dormir na sogra. Mas o relacionamento com a mãe de seu marido era péssimo, tanto que precisou insistir para ficar. Vencida a resistência, entraram, e antes que dormissem, um homem assustado bateu à porta perguntando por eles: o barranco cedera, nada sobrara da casa onde moravam. Para muitos, apenas um golpe de sorte, onde estava a providência divina.

Recordo-me de um dia em que, já deitado e sozinho em casa, senti vontade de olhar a porta da frente. Levantei-me e estava completamente aberta. Alguém me avisou.

É assim, a mediunidade encontra-se presente nos grandes e pequenos lances da vida, como instrumento de auxílio.

A começar pela nossa linhagem cultural, o Velho Testamento é repleto de fenômenos mediúnicos.

Em Gênesis 18, o patriarca Abraão é visitado por três anjos, descritos como “varões”, sem qualquer referência à figura que se tornou comum, de anjos com asas, mas coerente com a visão espírita, de que o que se chama anjo são apenas espíritos purificados, e não seres à parte na criação.

Espíritos, sejam ou não angelicais, não são visíveis aos encarnados, de modo que, para os enxergar, deve o encarnado ser médium vidente. Outra possibilidade é a materialização do espírito, o que demandará a utilização de ectoplasma de algum encarnado ali presente, denominado médium de efeitos físicos[1].

No mesmo capítulo de Gênesis, Abraão conversa com Deus. Dialogar diretamente com o Criador, como também aconteceria a Moisés no Sinai, parece-nos pouco provável, embora fosse a descrição esperada. À luz da doutrina espírita, é mais lógico que tal diálogo tenha se dado com um espírito iluminado, de acordo com a vontade de Deus. Afinal, um emissário de Deus tem autoridade para falar por Ele. É a mesma confusão que se faz quando Jesus nos diz que ele e o Pai são um só. Jesus é um espírito que já compreendeu a vontade do Pai, e por isso, quando fala, é como se o próprio Deus falasse.

Poderia ser Abraão também médium audiente ou, nos termos acima, por meio de materialização, terem sido produzidas ondas sonoras perceptíveis aos ouvidos do patriarca.

Fazemos uma pequena ressalva. Como nos ensina Emmanuel em A Caminho da Luz, espíritos muito puros, como o Cristo, conseguem interferir na matéria sem a necessidade de encarnados, como o fizeram na criação do planeta. Assim, de acordo com o grau dos espíritos que se comunicaram com Abraão, a mediunidade seria dispensável[2]. Mas tratemos da regra, pois isso não prejudicará a análise.

A previsão do futuro é um modo de mediunidade, sendo bastante comum no Velho Testamento, especialmente no que se refere às predições da vinda do Messias. Mas o Novo Testamento contém todo um livro profético, o Apocalipse[3] de João, emanado de uma espécie de sonho que, na verdade, é uma libertação provisória do espírito encarnado, chamada desdobramento, por meio da qual o apóstolo amado acessou informações do plano espiritual, traduzindo-as como possível à nossa limitada compreensão.

No Velho Testamento encontra-se a célebre proibição de Moisés quanto à comunicação com os espíritos, frequentemente utilizada por aqueles que não aceitam que o Espiritismo seja uma doutrina cristã. Mas algumas deduções são importantes. Se a comunicação não fosse possível, Moisés não a teria proibido, e se somente espíritos inferiores (demônios) se comunicassem, então Deus nos teria deixado à mercê de tais entes, sem oferecer contraponto, o que contrariaria a sua misericórdia.

Deixando um pouco nossa linhagem religiosa, sabemos que Buda passou por um processo de iluminação. Ainda chamado Siddhartha Gautama, príncipe, deixou o palácio e tomou contato com a realidade da vida, comovendo-se especialmente ao ver um monge que fizera voto de pobreza.

Buda deixa o palácio e inicia sua jornada de transformação. Sim, é bom lembrar que toda mudança é um processo. Paulo de Tarso viu Jesus às portas de Damasco, mas precisou de anos para tornar-se verdadeiramente um apóstolo. Registra-se que Buda sentou sob uma árvore, entrando em um estado especial de consciência, que permitiu a compreensão da ordem universal das coisas.

Em Espiritismo, o médium entra também em um estado especial de consciência para sintonizar-se com o plano espiritual, o que chamamos de transe mediúnico.

É possível que Buda tenha mantido contato com a espiritualidade superior nesse transe, a ele sendo relatadas verdades ocultas aos encarnados. Mas é ainda mais provável que Buda, como emissário da espiritualidade superior, nesse estado especial, tenha rompido as barreiras do esquecimento físico, e penetrado em sua própria alma superior, encontrando ali informações já conhecidas, mas transitoriamente ocultadas pela encarnação.

Ou os dois fenômenos. Dizemos isso porque, à luz da reencarnação, os espíritos não encarnam como páginas livres, mas trazem suas experiências pretéritas, e um sábio como Buda já traria um grande cabedal de conhecimento.

Embora não seja exatamente o caso de Buda, que vivia literalmente preso à ilusão do palácio, muitas vezes a espiritualidade nos toca de modo similar, fazendo-nos observar uma cena cotidiana que nunca havíamos percebido, ou nos intuindo a olhar com o devido cuidado para a dor de uma pessoa. Ou às vezes puxamos uma conversa inesperada e alguém relata sua dor, permitindo a oportunidade de auxílio. Precisamos ficar atentos para os sinais dos pedidos de ajuda, pois a verdadeira caridade persegue a dor do próximo, ao invés de aguardá-la.

A história do persa Zoroastro, ou Zaratustra, é também ilustrativa. Um sacerdote notou, desde o nascimento, que era uma criança diferenciada, cuja personalidade seria ruinosa para o poder e as religiões de então. A criança foi levada ao fogo, mas nada sofreu.

Insistindo, o sacerdote colocou o menino à frente de uma boiada, mas o primeiro boi parou em frente ao jovem e desviou os outros animais. O garoto ainda foi colocado na toca de uma loba que, ao invés de devorá-lo, o protegeu.

Será mito ou história? O que podemos dizer é que situações similares são relatadas a respeito de Paulo de Tarso que, picado por uma cobra, nada sofreu, ou Santa Clara, cuja família tentou retirá-la do convento, mas a missionária ficou rígida e pesada, de modo que diversos homens não conseguiram mover seu corpo. Na Bíblia, temos o profeta Daniel, lançado aos leões, mas encontrado ileso na manhã seguinte.

Um corpo comum não sobrevive às chamas ou fica indiferente ao veneno de uma cobra. Algum fenômeno mediúnico há que ter ocorrido, protegendo o corpo carnal com transformações do chamado fluido cósmico universal[4], o que pede doação ectoplasmática de algum médium de efeitos físicos, ainda que fosse a própria pessoa.

E que dizer do animal que protegeu Zoroastro? Ao que tudo indica, interferências espirituais dirigiram o animal, assim como o lobo pacificado por Francisco de Assis deixou de incomodar os moradores de Gubbio.

Em doutrina espírita, animais não são classificados como médiuns, pois a intermediação entre os planos é um processo inteligente, afeto somente aos humanos, mas isso não significa rejeitar o fato de que animais podem ter percepções espirituais ou energéticas.

Zaratustra também passou por um processo iluminativo. Certa feita, enquanto meditava, aproximou-se um ser de incrível beleza e brilho, que o conduziu para outro lugar, ao encontro de seres brilhantes, que disseram que nele próprio poderia buscar as respostas. O fenômeno descrito é, à luz do Espiritismo, mediúnico, desde a vidência do ser iluminado, à sua condução, em processo de desdobramento, para outro plano, onde teve contato com seres superiores.

Muitas das chamadas religiões de matriz africana que floresceram em nosso país desenvolvem atividades mediúnicas. Nesse caso, não se nega o intercâmbio, ainda que as interpretações não sejam as mesmas do Espiritismo, demonstrando também que a prática mediúnica era comum no continente africano.

Lembro-me do relato de um colega, cuja namorada da época professava uma dessas religiões. Ele nos conta que, durante o transe mediúnico, ela bebia a longos goles uma garrafa de bebida alcoólica. Findo o transe, não havia os esperados sinais de embriaguez ou cheiro de bebida; de algum modo, os espíritos absorviam o álcool, não deixando seus traços no corpo da médium. O que nos diria um teste de “bafômetro”? Fica a curiosidade.

Inúmeras obras espíritas nos apresentam espíritos absorvendo a energia dos encarnados, ou os eflúvios do álcool ou cigarro, ou mesmo hormônios e energias decorrentes de sexo desregrado, como forma de vivenciar experiências materiais, haja vista não terem adquirido as virtudes do espírito. Não por acaso, o imaginário popular criou a figura do vampiro.

Maomé, fundador do Islamismo, também passou por processo iluminativo. Em meditação, manteve contato com o anjo Gabriel, que lhe legou versos divinos, posteriormente compondo o Alcorão – aliás, Maria e José, pais do Salvador, também tiveram contado com o mesmo anjo.

Nos exemplos orientais citados, nota-se que todos estavam em meditação no momento do contato com o divino. Provavelmente eram médiuns e, no processo meditativo, alinharam-se com as vibrações espirituais, estabelecendo o contato com o outro plano, no chamado transe mediúnico.

Em se tratando de predições, é necessário observar o Evangelho Segundo Mateus. Ele é direcionado aos Hebreus, e por isso associa Jesus e seus atos às profecias, de modo a comprovar que Jesus é o esperado Messias. Já de início, apresenta a genealogia de Jesus, com o escopo de demonstrar que o Mestre Nazareno vinha da Casa de Davi e, ao longo do texto, encontramos uma série de outras referências.

Qual seria a fonte dos profetas, senão a própria espiritualidade?

No batismo de Jesus, João Batista visualiza uma pomba, que representa o chamado Espírito Santo[5], que diz: Eis aqui meu filho amado em quem me comprazo. Novamente não sabemos tratar-se de um fato mediúnico, ou de uma manifestação direta da espiritualidade superior, mas é indiscutível a intervenção espiritual no plano encarnado.

Se a aparição de Jesus a Paulo de Tarso provavelmente não foi um efeito propriamente mediúnico, mas uma manifestação do próprio Cristo, é certo que somente o apóstolo o viu, ao contrário dos que o acompanhavam. Mas esse não foi o único fenômeno mediúnico na vida de Paulo, que trata extensa e sabiamente do tema nos capítulos 12 a 14 da Primeira Epístola aos Coríntios, sob o nome de carismas.

Embora Jesus não seja propriamente classificado como médium e, para isso, sugerimos a leitura da obra A Gênese, cap. 15, que nos mostra o Cristo como “médium de Deus”, é certo que promoveu feitos extraordinários, como a multiplicação dos pães. Mas muito antes do Cristo, a Bíblia relata que o profeta Eliseu multiplicou alimentos para uma multidão[6], em fenômeno que o Espiritismo classificaria como materialização.

Eliseu também ressuscitou o filho da sunamita[7], em fato similar ao realizado por Cristo com Lázaro e a filha de Jairo. À luz da doutrina espírita, tais pessoas ainda não estavam mortas, mas em estado de morte aparente, de modo que, por meio da mediunidade de fenômenos físicos, algum efeito material ocorreu, cessando a latência do corpo.

Avançando na história, temos a célebre transformação de Francisco de Assis. O pobrezinho rezava na abandonada igreja de São Damião, quando uma voz, vinda do crucifixo, disse: Francisco, reconstrói a minha igreja. Não seria essa uma manifestação espiritual, captada pela mediunidade de Francisco?

Segundo relatos, Francisco levitava enquanto orava, o que indica mais um feito mediúnico. Do mesmo modo que as mesas girantes do século XIX iam de um lugar a outro, com a “imantação” dos objetos, o corpo do missionário era sustentado no ar.

E que dizer do Papa Inocêncio III que, ao receber Francisco no Vaticano, comentou de um sonho profético, no qual um mendigo sustentava a Basílica de São João de Latrão, prestes a desabar, compreendendo que o mendigo era Francisco, e que sustentava a própria instituição Igreja?

Outro célebre franciscano, Antônio de Pádua, protagonizou diversos eventos mediúnicos. Conforme nos conta Almerindo Martins de Castro, na obra “Antônio de Pádua”, editada pela FEB, o lisboeta “era conhecido pela gente do convento apenas pelo escrúpulo com que lavava as panelas e exercia outros misteres na cozinha”. Contudo, com o tempo, manifestou, além das próprias virtudes, inúmeros tipos de mediunidade: materialização, efeitos físicos, vidência, transporte, transfiguração, cura, inspiração, audiência, transmissão de fluidos e profecia.

Sua “erudição mediúnica” era inspirada e, arriscamo-nos a dizer, eventualmente psicofônica, proferindo belos discursos nos quais, amiúde, dizia duras verdades, mas “ninguém reagia, ofendido”, e era ouvido por uma quantidade de pessoas muito superior ao que seu volume de voz permitia, já que “os Espíritos irradiavam a voz do médium”.

Eram tantos os fenômenos que citaremos apenas o mais notório, não por acaso tratado por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, no capítulo sobre bicorporiedade. Antônio de Pádua pregava na Itália, no momento em que seu pai, em Lisboa, seria supliciado sob equivocada condenação por homicídio. No momento da execução, Antônio de Pádua apareceu, demonstrando a inocência do pai. Posteriormente, restou comprovado que, naquele mesmo instante, pregava na Itália.

Registramos ainda o “Milagre das Rosas”, protagonizado pela rainha portuguesa Isabel de Aragão, posteriormente canonizada pela Igreja Católica. Proibida pelo rei de permanecer entre de pobres e mendigos, a quem frequentemente ajudava, foi flagrada pelo monarca novamente entre os humildes. Sob o manto, guardava as esmolas que distribuía. Suspeitando, indagou o rei o que seria, mas a rainha disse que eram rosas. Instou o rei que fossem mostradas, e então doce rainha retirou rosas de seu manto.

Merece comentário a ideia de milagre. Milagre seria a derrogação da lei divina, para que o Criador mostrasse seu poder. À luz da doutrina espírita, não há milagres, pois a grandiosidade do Pai é demonstrada pelas próprias leis naturais, e não por sua violação. Todos os fenômenos milagrosos, muitos deles mediúnicos, têm ou terão uma explicação. Vê-se o artista na beleza da pintura, ou quando ele destrói a obra?

Retornando ao Velho Testamento, recordamos que os hebreus, escravos no Egito, foram avisados e, desse modo, preservados da morte dos primogênitos, e da saga de José do Egito, que decifrou os sonhos do faraó, com sete vacas magras, e sete vacas gordas. De onde José retirou essa interpretação, sendo que os maiores sábios do lugar não compreenderam?

Lembramos do célebre Oráculo de Delfos, onde as pitonisas (médiuns) eram consultadas, mas em cuja entrada constava uma recomendação a ser seguida até nossos dias: conhece-te a ti mesmo.

O Oráculo nos remete a Sócrates, que frequentemente escutava a voz de seu daemon. Tal palavra, hoje associada a demônio, significava apenas espírito, sem qualquer conotação boa ou ruim.

Outra médium emblemática é Joana D´Arc, santificada pela Igreja, e padroeira da França, que ouvia vozes. Consultando a internet, encontramos especulações científicas no sentido de que isso decorreria de epilepsia. Contudo, os relatos da época mostram que a jovem camponesa, sem qualquer preparo militar, aconselhava homens em batalhas e em encontros de generais, sendo sua presença descrita como fundamental à vitória na guerra com os ingleses.

Conta-se ainda de quando levada ao Delfin (futuro rei), este se disfarçou, misturando-se entre os membros em sua Corte. Mas a jovem, que não o conhecia, dirigiu-se diretamente a ele. Tais características podem ser atribuídas à epilepsia?

Abrindo parênteses, como Kardec já dizia, o fato de se explicar um fenômeno por algum modo como, no caso, a epilepsia como fonte de supostas vozes, não significa que outras vozes possam ter outra explicação. Infelizmente muitos cientistas não estudam o fenômeno por completo, adotando conclusões precipitadas. Parece-nos o caso acima, já que não eram apenas vozes aleatórias, mas vozes que foram úteis em uma guerra, o que é muito mais complexo e exige maior observação.

Nos antigos povos americanos também encontramos relatos de mediunidade. Diz-se que os maias entravam em transe em seus cultos, e os pajés e os xamãs invocavam e controlavam espíritos, com poderes proféticos e curativos, práticas ainda adotadas em muitas tribos, a despeito do contato e integração com a dita civilização.

O século XIX foi marcado por estudos do plano espiritual por grandes cientistas, como o químico Willian Crookes e o naturalista e biólogo Alfred Russel Wallace, ambos membros renomados das melhores academias científicas da época, além de intelectuais respeitados, como Sir Arthur Conan Doyle, “pai” de Sherlock Holmes, que cuidou de registrar muito sobre isso na excelente obra A História do Espiritualismo, cuja leitura recomendamos a todos, mas especialmente àqueles que dizem inexistirem provas científicas da existência da espiritualidade, ou que cientistas sérios jamais se interessaram pelo tema. Não só estudaram e provaram, como fizeram isso há mais de um século…

A mediunidade também pode ser vista em diversos momentos importantes da história. Na Exposição Universal de 1876, ocorrida na Filadélfia, em comemoração ao centenário da independência norte-americana, um jovem inventor chamado Alexander Graham Bell apresentava o telefone, sendo completamente ignorado. Contudo, dias antes, ele fora apresentado ao imperador brasileiro D. Pedro II, discorrendo sobre seu trabalho com deficientes auditivos.

Pedro II, que acendera as luzes da feira e era tratado devidamente como imperador, reconheceu Graham Bell e foi conversar com ele, conferindo improvável destaque ao estande remoto, alçando a genial invenção a um protagonismo inesperado.

Teria o primeiro contato sido casual? E teria D. Pedro II encontrado Graham Bell, em seu espaço discreto, no gigantesco espaço da feira?

No século XX foi marcante a aparição de Maria aos três pastores, na cidade portuguesa de Fátima, acompanhada de relatos de curas extraordinárias. Dos três pastores, somente Lúcia via, ouvia e falava com Maria. Jacinta via e ouvia, e Francisco apenas via. Tal diferença indica que tinham características mediúnicas distintas.

*

Os fatos mediúnicos são constantes na História da humanidade e em todos os povos, já que nenhum é privado do contato com a espiritualidade, mas é inegável que jamais foram estudados com a abrangência e profundidade de Kardec, que nunca tratou o tema com frivolidade e, desde que compreendeu a existência de todo um mundo novo no plano desencarnado, tratou de buscar informações úteis sobre esse plano, legando-nos uma obra que explica os dois planos existentes e sua relação, vinculada à lei de amor.

Considerando todos os esclarecimentos trazidos pelo Espiritismo, é interessante observar que as lições dos apóstolos Paulo e João, transcritas no início do texto, permanecem incólumes.

Temos que respeitar as profecias, colocando-as à prova, e guardando somente o que se mostrou bom. É possível o contato com os espíritos, mas é preciso testá-los para saber se procedem de Deus.

A própria proibição de Moisés à comunicação com os espíritos não perdeu sua importância. Permanece válida a todo aquele que ainda não compreendeu a grandeza desse intercâmbio.

Para concluirmos a conversa, destacamos uma reposta de O Livro dos Espíritos, que nos lembra que a verdadeira finalidade da interação com os irmãos desencarnados:

  1. Visto que o Espiritismo tem que marcar um progresso da humanidade, por que não apressam os espíritos esse progresso, por meio de manifestações tão generalizadas e patentes, que a convicção penetre até nos mais incrédulos?

“Desejaríeis milagres, mas Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no entanto, ainda há homens que o negam. Conseguiu, porventura, o próprio Cristo convencer os seus contemporâneos, mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente alguns que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas vistas? Não há os que dizem que não acreditariam, mesmo que vissem? Não, não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em sua bondade, Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão.”

Que aproveitemos a porta aberta ao contato com a espiritualidade, buscando no outro plano as informações úteis à nossa passagem transitória pelo planeta, e auxiliando os irmãos do outro lado, que não compreenderam que lá está a verdade.

*

[1] Em O Livro dos Médiuns, capítulo XIV – Dos Médiuns, encontramos a classificação dos diversos tipos de mediunidade.

[2] Na pergunta n.° 100, de O Livro dos Espíritos, encontramos uma classificação do nível evolutivo dos espíritos, chamado por Kardec de “Escala Espírita”;

[3] A palavra apocalipse adquiriu um caráter quase macabro, conforme a leitura equivocada e catastrofista de muitos leitores, mas seu significado é apenas “revelação”.

[4] Ver melhor em A Gênese.

[5]À luz da doutrina espírita, o Espírito Santo, ou Espírito de Verdade, não é um único ser, mas a representação do conjunto de seres angelicais que auxilia o Cristo em sua missão de implantação do reino divino em nossos corações.

[6] Livro IV de Reis 4:42;44

[7] II Reis 4:32-35

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