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Portas Abertas

Portas Abertas
 
 A casa espírita é uma escola, mas depende de cada aluno o bom aproveitamento das lições.
 
A ela comparecem os estudantes adiantados, sucessivamente graduados pela infinidade de etapas de que se compõe a travessia de todo espírito em seu retorno à proximidade do Pai Maior.
 
São eles os exemplos de abnegação e esforço continuados, incansáveis semeadores que, paulatina e persistentemente, foram colhendo os frutos, cada vez mais doces, dos pomares que cultivaram e purificaram com as próprias mãos.
 
Há também lugar para aqueles que já encontraram o farol que os está guiando com segurança em meio à tormenta, que assusta e desencaminha a maioria desavisada das leis sublimes e inatacáveis que regem o concerto das almas em evolução.
 
Percorreram decerto coleção promissora de estágios regeneradores, que lhes edulcoraram sensivelmente a consciência antes tão pesarosa de falhas renitentes e comprazidas, mas ainda têm pela frente imenso encadeamento de provas e missões que serão os exames comprovadores da superação de patamares seguidamente elevados.
 
Mas, a escola estará sempre aberta para ministrar-lhes os ensinamentos que lhes facultarão os passos decisivos e cruciais.
 
Está também igualmente liberado o acesso aos que necessitam ainda iniciar o próprio aprimoramento de modo sistemático, despertados foram para a impossibilidade de se eternizarem na ignorância, adquirindo, pela vez primeira, a convicção de que o movimento é inerente ao espírito, que, de alguma sorte alertado, deixa de se conformar com a paralisia.
 
O principiante sincero e dedicado encontrará sempre professores experientes e humildes, aptos e piedosamente dedicados à missão de encaminhar e amparar a quantos lhes dirijam o menor gesto de apelo a seu concurso.
 
Porém, a casa espírita carrega um objetivo ainda maior que simplesmente acolher aos que a demandam, em escala voluntária, pelo amor ou pela necessidade; cessa, portanto, a similaridade com a escola terrena, que não pode ensinar a quem se recusa ou não sabe como freqüentá-la.
 
Muito ao contrário, reside aí a grande oportunidade de realizar o trabalho decididamente fraterno e incondicional.
 
O ambiente espírita deve estar receptivo aos que o desconhecem, aos questionadores que o respeitam, aos adversários sinceros que se mantenham fiéis e solidários à sensatez e à argumentação coerente.
 
Como todo templo bem intencionado e seguro de seus fundamentos, a casa espírita não deve e não precisa fechar-se à investigação e à consulta honestas, que não conseguirão jamais resultados outros que não a ratificação dos ideais cristãos que têm sustentado a doutrina de Kardec por século e meio após a sua consolidação.
 
Não deve haver temor, apenas confiança na fé abraçada, que não receia a proximidade dos que a ignoram ou mal interpretam, porque esse é o único modo e trazê-los à razão.
 
Prossigam em sua arena de estudos, que a um dia universalizará os seus divinos conhecimentos.
 (Psicografia do médium Sérgio Rossi) 
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