Skip to content

A ovelha desgarrada

A ovelha desgarrada

“ Quem dentre vós, que possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove na montanha e vai atrás da perdida até encontrá-la?” (Jesus., Lucas, 15:5)
 
 Ninguém desce a este Planeta sem traçar um projeto de vida. Quando planejamos nosso retorno à Terra, selamos um compromisso com nossos Maiores, de acordo com nossa capacidade de honrá-lo. Ninguém assume nada mais do que é capaz de realizar, logicamente com a ajuda do Alto, pois, se somos imperfeitos carecemos do auxílio que sempre vem no momento adequado, reduzindo a possibilidade das falhas que venhamos a cometer, caso cultivemos intimamente esse objetivo
O lar que nos recebe de braços abertos, com ternura e dedicação, ou aquele lar que formamos com muitos sonhos, acolhendo seres que conosco vêm participar do processo evolutivo, ou mesmo aquele outro que foi constituído para alto grau de resgate, é o cantinho que nos proporciona segurança e é, ao mesmo tempo, o fulcro dos embates onde as diferenças devem amainar-se com a tecelagem dos afetos, da ajuda mútua, da dedicação, do espírito de renúncia, da alegria na elaboração dos laços indeléveis, que só o amor sabe atar.
Sabemos, sempre haverá momentos difíceis, onde faz-se necessário agir, principalmente quando algum membro da família se desgarra, resvalando para a sombra dos vícios, para atitudes pervertidas que comprometem o equilíbrio do lar. Felizmente, sempre há alguém que tenta promover-lhe o retorno à sensatez. Alguém do próprio lar ou, buscando ajuda onde for preciso
É um filho que se envolve com droga, ou que foge à orientação da família, abandonando os estudos para se engajar em meios nada sadios; ou é o esposo ou esposa que abandona o lar; ou ainda alguém que tenta suicídio, enfim, os que optam por modo de viver incompatível com o compromisso assumido no Plano Espiritual.
Jesus, na parábola acima, nos dá o roteiro. Pode parecer estranho deixar as 99 ovelhas na montanha para socorrer aquela que se desgarrou. O ”deixar as outras na montanha” pode significar, evangelicamente, um clima de elevação espiritual alcançado dentro dos princípios que todo grupamento humano deve preservar, como a responsabilidade compartilhada, o respeito mútuo, a sensatez diante de algo que afeta todo o grupo.
Qualquer pai ou mãe, que vê seu filho corrompendo-se, procura fazer tudo o que estiver ao seu alcance para recuperá-lo. O Mestre simplesmente colocou uma questão negativa quando perguntou: “Quem dentre vós ... não deixa...”, admitindo, assim, não existir ninguém capaz de abandonar um ente querido à margem de um desastre, sabendo que os demais membros da família estariam, de alguma forma, colaborando. Colocou em evidência a importância do esforço que qualquer um deve fazer, para trazer de volta aqueles que se perdem no caminho do crescimento espiritual.
O problema, entretanto, está na freqüência cada vez maior dessas ocorrências nos lares modernos. Tal fenômeno significa, simplesmente, que na grande maioria dos lares, por razões dos novos costumes, as famílias não têm podido acompanhar de perto a vida dos filhos; os esposos, por outro lado, têm atividades que impedem uma convivência mais que necessária e coesa, fragilizando a defesa do lar contra as investidas dos males que afetam nossa sociedade.
Daí, a necessidade de criarmos a montanha da elevação espiritual da família. É fundamental tudo fazermos para que jamais haja, no lar, clima que induza qualquer membro a cometer atos que o empurrem para faixas espirituais negativas.
A melhor maneira de fazê-lo é cultivar o Evangelho no Lar; é trazer Jesus para dentro de casa, ou seja, para o íntimo de nossos corações, não como uma defesa pura e simples contra os males a que estamos todos sujeitos, mas com o objetivo de alcançar a Luz que explende do Evangelho.a guiar nossos passos rumo à conquista de nós mesmos e de todos aqueles com quem traçamos nossa trajetória em comum para Deus .
Este deve ser o nosso desiderato, e quanto mais cedo começarmos melhor, pois, diante das ofertas carregadas de atrativos, que estimulam a busca incessante dos prazeres, os pais têm dificuldade de praticar o culto no lar. Porém, há que haver disciplina, convencimento através da freqüência às casas espíritas, participação nas atividades culturais, nas de assistência, de trabalho religioso, nas aulas de evangelização. O Culto do Evangelho no Lar é o fulcro luminescente da família espírita, pois só com ele se pode atingir toda a família, congregando-a dentro dos princípios necessários à evolução de cada um.
 
                                                                           Teresinha Rosa Cruz

 

sfy39587p00