A lógica da Reencarnação
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A LÓGICA DA REENCARNAÇÃO
(após a transfiguração) 10 Seus discípulos então o interrogaram desta forma: "Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?" 11 Jesus lhes respondeu: "É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas: 12 Mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve. É assim que farão sofrer o Filho do Homem." 13 Então seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara. (Mateus, cap. 17)
Nascer de novo. Como disse o Mestre, na célebre conversa com Nicodemos (João, cap. III. vv. 1:12), o caminho para a evolução passa por diversos reencontros com o mundo material. A idéia do renascimento é antiga para muitos povos, mas refutada pela maioria das religiões cristãs, ainda que haja passagens, como a citada acima, de clareza ímpar. Veio o Espiritismo para reavivá-la, trazendo-a no bojo de sua Doutrina, de forma simples e objetiva. Não escrevemos, aqui, um arrazoado filosófico sobre o tema, mas trazemos duas situações hipotéticas, como estímulo à reflexão.
Imagine que um homem, sem o perceber, foi injusto com um semelhante. Dias depois, refletindo, concluiu que agiu equivocadamente, de forma lesiva. Qual sua reação? Sempre que levantado tal questionamento, há unânime resposta: imediatamente ele iria procurar a pessoa lesada, onde quer que fosse, e utilizando de todos os meios possíveis, para pedir desculpas e tentar reparar ou minorar os malefícios. Mas se o lesado houvesse mudado para um lugar desconhecido, sem possibilidade de ser encontrado, ou se houvesse falecido? Certamente, a alma daquele homem ficaria maculada por um desgosto incontornável, um remorso incontido, pela impossibilidade de reparação do dano.
Para os que entendem a reencarnação como demonstração da falta de perdão e bondade divinos, pois Deus forçaria os filhos a novo sofrimento no mundo, a estória acima é uma bela ilustração. Deus não seria bom e justo se nos permitisse carregar, por toda a eternidade, uma dor na alma. Ao contrário, por meio da reencarnação, permite o reencontro com o ente injustiçado, para que possamos ser úteis, e assim reparar a má conduta de outro tempo. Antes de vingança, a reencarnação é uma das maiores provas do amor divino.
Imagine, agora, uma mãe boa e misericordiosa. Embora sábia e dedicada, não conseguiu fazer penetrar, no coração do filho, o amor pelo Criador. Pois um dia essa senhora desencarna e ganha um céu de eterna ventura. Passa o tempo, e ela sente que já era hora de o filho ter ido ao seu encontro. Indagando sobre ele, recebe a notícia de que o rapaz, por sua vida desregrada, arde nas chamas infernais. A devotada mãe, então, vira-se e prossegue, feliz, em seu reino de perfeição.
É possível imaginar tal cena? Qual mãe não entregaria tudo por um filho? Que mãe não trocaria um paraíso perfeito pelas chamas do inferno para poder dar um alento ao rebento? Que céu perfeito seria esse, se seus habitantes são indiferentes aos sofredores? Que céu é esse, prometido por Jesus, onde as mães correrem o risco de serem eternamente infelizes, em decorrência do sofrimento dos filhos?
Novamente a reencarnação traz o esclarecimento. Não há castigo eterno. Jesus nos disse que nenhuma de suas ovelhas se perderia, e assim deve ser. Todas as mães tem o alento de saber que os filhos, por imprudentes que sejam, terão novas oportunidades, e, mesmo que a encarnação seja de tormentas, estão cientes de que poderão estar ao lado das criaturas amadas, para aconselharem e afagarem os cabelos, confortando e consolando, até que a Verdade lhes penetre nos poros da alma.
As situações acima descritas servem com estímulo ao pensamento acerca da doutrina reencarnacionista, bem como para desfazer equívocos corriqueiros, como a afirmação de que a reencarnação seria uma demonstração de que Deus não perdoa e se apraz no sofrimento dos filhos.
Nascer de novo, como ensinou o Mestre, é uma necessidade, para que reparemos todos os erros do passado e possamos trilhar um caminho de ventura e paz. A reencarnação é uma prova contundente do amor divino.
Ricardo Tavares Baraviera
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