Daí a César o que é de César
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Vejamos, irmãos e companheiros de jornada terrena, que não há de ser por acaso, como nada o é, o estudo da passagem
Com efeito, há uma cultura instalada em nossa sociedade de tradição judaico-cristã, de completa contrariedade ao pagamento de tributos a César, tendo-se evidentemente como César, o Estado.
O primeiro argumento que se levanta, contra o pagamento de tributo, é o de que seu valor é por demais pesado e sua destinação inadequada, ineficaz ou desconhecida da sociedade.
E não se diga aqui que isso dependeria de uma maior ou menor simpatia pelo governo ou correta destinação dos tributos, porque em todos os tempos e sob qualquer governo (e não é o Estado mais do que um de seus elementos constitutivos, ao lado do povo e território), não se tem notícia histórica da satisfação geral de uma sociedade pelo pagamento de tributo. Quando à luz da doutrina cristã o pagamento de tributo deveria ser motivo de júbilo de todos nós.
Não é, por força de nosso egoísmo, imperfeição ainda predominante na humanidade, que não faz espontaneamente e muito menos obrigada pelo Estado, com alegria, o que em última análise representa um princípio de justiça e dever social.
A tão alegada mal aplicação dos tributos pelos governos de uma forma geral, não deve ser para o cristão motivo de contrariedade com o seu pagamento e sim de uma contribuição efetiva para o aperfeiçoamento das instituições jurídico-políticas, a partir da reforma interior do homem fadado que está à evolução espiritual por lei eterna e imutável, quando então amará a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si próprio.
Pensemos sobre isso. Deus Seja Louvado.
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